26 setembro 2010

Desabafos de uma semi deusa



Eu nunca fui uma pessoa normal, desde criança.
Quando eu nasci, minha mãe prometeu pra ela mesma, que nunca ia me enganar. E que ia sempre abrir o jogo comigo. E foi isso que ela fez.
Com dois anos, eu eu vi uma coisa e me lembro disso até hoje. Vi meu pai virar o rosto pra mim pra não me conhecer. Foi minha primeira experiência de rejeição.
Mas desde pequena fui fria, engraçado isso! Vi e continuei brincando e rindo!
Continuei minha vida. 
Meu avô fazia de um tudo por mim, me fazia a neta mais feliz do mundo! Me contava histórias, fazia com que eu acreditasse em mim,eu era a primeira aluna da sala, tirava notas excelentes, era inteligente, aprendi a ler mais rápido que todas as minhas amigas, e já tinha um namoradinho na alfabetização. ( Eu sempre tive amores, fazer o que? ), era meu vô que cuidava de mim,que me amava feito um pai, mas ele sofreu um acidente e perdeu a memória. E como eu já tinha crescido um pouquinho, ele não lembrava mais de mim! Só lembrava que três horas da tarde, ele tinha que comprar meu recheado de morango.
Depois disso, minha mãe não cumpriu a promessa e disse que ele foi fazer uma viajem pra ficar melhor. Eu acreditei!
Cresci...
me manti sempre como melhor aluna, como inteligente, o exemplo.
Foi quando eu descobri que meu avô tinha falecido...
Percebi que o mundo não era tão bom como eu imaginei que fosse. Aos poucos as pessoas que eu mais amava iam sendo tiradas de mim, de uma forma terrível! Fui embora da minha cidade natal, fazendo eu ter outra grande separação com a minha familia.
E de repente, aquela princesinha linda do vovô, aquele exemplo, aquela menina meiga, ia completar 15 anos. E foi nessa data que meu pai veio atrás de mim.
Foi aí que eu descobri porque eu era assim... fria, calculista, dona de uma ironia sem limites, e de um sacarsmo que me faz ser autosuficiente até nas minhas piadas.
Eu era exatamente como meu pai. 
Dá pra saber até o porque de não termos nos dado bem, minhas meias irmãs loucas por ele, e eu fingia não tê-lo por perto, acho que foi por isso que ele sempre gostou mais de mim ( da forma dele!), assim como eu sempre gostei dele ( da minha forma! ).
Nesse meio tempo tive uma depressão quase inacabada por causa de um rapaz que me fez perder a cabeça por três anos, e não pude contar com a ajuda do meu pai pra me dar conselhos sobre cafagestes porque ele tinha sumido da minha vida.
Superei a ausência do meu pai e a traição do meu cafageste preferido!
Sempre pude contar contar com a minha mãe!
Cresci mais um pouco, e ainda continuo com esse padrão de melhor aluna da sala, de notas boas, de estar sempre a frente das minhas amigas, e nunca estou sozinha.
E com isso só quis ficar com pessoas que eu ia ter certeza que depois daquela vez, nunca mais eu ia encontrá-las de novo. Não foi assim com o cara que me dá inspiração porque me apeguei a ele, por ele ser exatamente como eu sou e ter cido diferente dos outros.
Meu pai hoje me ligou, e eu quis conversar com ele.
Abri o jogo, e ele me deu conselhos sobre os homens.
Eu estava doente, muito doente. Doente de amor mais uma vez, amor mal resolvido...
Por que eu não sabia resolver. Meu Deus, uma conta tão fácil e simples de resolver. O amor distrái a gente para não percebermos o quão fácil é a questão.
Pela primeira vez, meu pai me aconselhou.
Minha ironias de cá, e o sacarmos dele de lá. Risos irônicos de lá, risadas engraçadas de cá.
Apesar da mágoa que tenho da ausência dele, eu achava que perdão era uma coisa divina e como eu ainda não era nenhuma deusa, perdoar não era pra mim...
Mas comecei a gostar dele, comecei a perdoar...
Não sei se porque estou começando a ter sentimentos por ele, ou se foi eu que me transformei em deusa.

Reações:

5 comentários:

  1. A vida vai se construindo assim... de pequenos nadas...

    kiss

    ResponderExcluir
  2. Que lindo.
    Imagino o quanto deve ter sido dificil, apesar de pra você "parecer" que não se importava.
    Na verdade, lá no fundo, a gente se importa, sente falta.
    Eu cresci meio que longe do meu pai, apesar de ele estar sempre presente na minha vida. Meus pais se separaram qdo eu tinha 2 anos tb, mas ele sempre me buscou p/passar férias juntos, sempre me visitou, etc.
    Mas é claro que não é a mesma coisa, e que a gente sempre pensa no inicio se a "culpa" da separação foi nossa, ou q não "servimos" nem para mantê-los juntos. Com o tempo percebemos que eles são pessoas diferentes, seguem caminhos diferentes e precisam ser felizes (de maneiras diferentes!). E mesmo que a gente não esteja junto, isso não quer dizer que não nos amamos...
    Também perdi alguém muuito especial bem cedo na minha vida (tinha 6 nos, ele era meu tio/padrinho), mas de uma forma cruel (ele suicidou). Isso deixou uma marca profunda em mim, e ate hj, as vzs me pego chorando, soluçando, revendo aquela cena triste ou mesmo as boas lembranças que tenho dele.
    Passei por muita coisa também, assim como você, o que me deixou de certa forma "durona" para algumas coisas.
    São experiências que machucaram, que doem.
    Mas que nos fazem crescer.

    É assim que prefiro olhar.


    BeijO grande e abraço apertado.

    ResponderExcluir
  3. Não sei se porque estou começando a ter sentimentos por ele, ou se foi eu que me transformei em deusa.

    As duas coisas, querida, as duas coisas! É uma história triste, como muitas, mas com o diferencial da sua garra e perseverança - embora sarcástica e irônica, fazendo com que se veja as coisas de ângulos privilegiados. Aproveite a 'idade da energia' para se desfazer das bagagens mais pesadas, você não tem que levá-las consigo pela vida toda!

    Beijo!

    ResponderExcluir
  4. Imagino o quanto foi difícil pra ti, mas também passei por uma situação com meu pai como esta e sei o quanto é difícil! Mas com certeza é assim que se vai amadurecendo e crescendo cada vez mais!
    Adorei teu blog!
    Beijão

    ResponderExcluir
  5. Ui ui..Será que vc virou deusa?
    É o amor amiga, transformando seu coração!

    Se cuida viu!

    Bju!

    ResponderExcluir